Queijos: cuidado com o exagero
No inverno, o consumo costuma ser maior, mas é preciso prestar atenção às quantidades de sódio e gordura.
Chega o frio do inverno e muita gente recorre aos alimentos mais pesados. Instintivamente, as pessoa procuram comidas que parecem dar mais energia, “esquentar” mais. Só que esses alimentos podem apresentar altas taxas de gordura e sal, que, em exagero, são prejudiciais à saúde a curto, médio e longo prazo.
Entre esses alimentos está o versátil queijo, em suas muitas apresentações: sólido, ralado, cremoso, como ingrediente de salgadinhos, molhos, sopas, massas, tortas, suflês, sanduíches e até mesmo em algo que tem tudo a ver com a estação fria: a fondue (sim, é um substantivo feminino). Os queijos têm benefícios, mas a moderação é aconselhável, pois alguns tendem a ser muito salgados e gordurosos. Até alguns adeptos do vegetarianismo aderem inadvertidamente ao uso em demasia.
A crença popular prega que queijos brancos são menos gordurosos que os amarelos. Entretanto, isso é muito relativo. Enquanto muitos pensam que a muçarela (sim, é com “ç”, por mais feio que pareça) tem mais gordura que um minas frescal padrão, por exemplo, pode ter a mesma quantidade . Inclusive, a muçarela tem várias versões (light, temperada, de búfala, etc.), mais e menos calóricas.
Karina Barros, nutricionista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que não é exatamente o tipo de queijo que influi na questão. “Na realidade, o valor calórico e a quantidade de gordura dependem do processamento, por isso, é importante ler os rótulos e verificar os valores informados pelos fabricantes”.
Entre os brancos, os menos calóricos são o cottage e a ricota – curiosamente, os menos consumidos no inverno. São queijos mais “frescos”, que combinam mais com pratos frios, como sanduíches naturais, portanto mais procurados em tempos quentes. Karina ensina que uma boa opção nos dias frios é o queijo coalho grelhado, menos calórico que a muçarela.
Dos mais gordurosos, o primeiro é o parmesão, seguido pelo cheddar e o roquefort, nessa ordem. Para a suíça fondue, geralmente é usado o emental, o quarto da lista, que pode ficar ainda mais gorduroso se misturado a outros tipos, como é comum em algumas receitas.
De forma saudável
Saborosos, os mais gordurosos devem ser consumidos com parcimônia. A pesquisadora da Unifesp aconselha, para uma alimentação saudável, a ingestão moderada e com menor frequência, “principalmente no caso de diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (excesso de lipídios no sangue), obesidade, entre outros males”.
No caso das crianças, cuidado dobrado, como orienta a nutricionista. “Não é salutar a ingestão de queijos com mais gordura e mais salgados, como parmesão, provolone e gorgonzola. Neste período da formação do paladar, os queijos mais leves como o minas, o cottage e a muçarela são mais indicados”.
Com os idosos, os mesmos conselhos de moderação e frequência. Sempre é bom perguntar ao médico de confiança, em caso de alguma doença crônica, se há algum queijo a ser evitado.
Mas a palavra de ordem, no geral, é moderar o consumo, e não proibir. Há uma quantidade de queijo que pode ser consumida sem ser prejudicial à saúde. E essa quantidade deve ser avaliada de acordo com outros alimentos consumidos durante o dia. De nada adianta maneirar no queijo no café da manhã, por exemplo, e na hora do almoço ir com tudo em outro prato gorduroso e muito salgado que não tenha relação com o derivado do leite.
Karina considera uma porção diária de até 30 gramas, associada ao consumo de frutas, verduras, legumes e à baixa ingestão de alimentos industrializados. “Dessa forma, não causará malefícios à saúde”, encerra.
Abaixo, uma tabela elaborada pela especialista, de acordo com os tipos de queijos (padrão geral):




