A relação correta entre exercícios, alimentação e relógio biológico

As regras para a prática de atividades físicas são mais objetivas quando se trata de ingestão de alimentos, mas quando o assunto é o horário, depende muito de cada pessoa.

O intervalo correto entre a alimentação e a prática de exercícios é uma preocupação para muita gente. Preocupação sensata, aliás. Outra dúvida é o horário apropriado: logo ao acordar pela manhã, no meio do dia ou à noite, perto da hora de dormir?

Segundo o treinador pessoal Givanildo Holanda Matias, não há problema algum em uma pessoa saudável começar a prática de exercícios já pela manhã, desde que não a faça em jejum ou após uma refeição pesada. Ele afirma que os horários não apresentam diferenças significativas, “o que vale mesmo é uma boa orientação no que se refere à intensidade, duração e alimentação”.

Obviamente, essa delicada relação varia de pessoa para pessoa. Quem usa medicamentos que interferem na pressão sanguínea, por exemplo, deve treinar apenas uma hora após o uso do remédio, segundo Matias.

Há quem aproveite a pausa do almoço para ir à academia. O treinador vê dois problemas: treinar em jejum superior a três ou quatro horas ou logo após uma refeição pesada.

Segundo ele, a pessoa em jejum tem pouca quantidade de carboidrato no corpo, e pode ter um quadro de hipoglicemia, o que pode ocasionar queda na pressão sanguínea. Ao contrário do que muita gente pensa, o jejum prejudica quem quer perder peso, pois todo o mecanismo de queima de gordura no organismo depende da ingestão de carboidrato para funcionar.

Já no caso de prática física após a refeição, o perigo é outro, como explica Matias. O corpo envia uma grande quantidade de sangue para a região visceral para metabolizar o alimento. Por isso, se a pessoa se esforçar durante essa fase mais pesada da digestão, pode faltar sangue oxigenado em outras partes do corpo: “se (a falta de sangue) for na cabeça, por exemplo, pode acontecer um desmaio, e se for na parte visceral pode acontecer enjoo ou refluxo”. Para evitar isso, a ingestão alimentar deve ser bem controlada em dias de treino: refeição mais leve combinada à redução de volume e de intensidade dos exercícios.

Givanildo também lembra que não há grandes distinções entre programas de atividades físicas para manhã, tarde ou noite, mas diferenças no relógio biológico de cada um. “Há pessoas que praticam atividade física e ficam ‘ligadas no 220’. Em casos como estes, o mais indicado é que tentem treinar pela manhã ou à tarde. Se o fizerem à noite, podem ter sérios problemas para dormir.”

Também acontece o contrário: pessoas em que os exercícios produzem efeitos hipotensivos, deixando-as sonolentas. Essas devem realizá-los à noite. Se o fizerem de dia, podem perder o rendimento de suas atividades cotidianas, adverte o especialista.

Arcauniversal

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